sexta-feira, 21 de maio de 2010
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Aborrecência em crise.
sábado, 8 de maio de 2010
Something else to breath for...
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Ruínas de um novo castelo
Seja como for, cá estou eu de novo, e nem tenho nada muito estruturado pra dizer. Mas se você está lendo isto aqui não está mesmo esperando nada bem escrito, então estamos nos entendendo.
Eu comecei um trabalho terapeutico dos mais tradicionais. Sim, daqueles em que você fica dentro de uma sala junto com outra pessoa cujo nome você mal sabe e o objetivo é lembrar e contar o maior número de podres sobre si mesmo por minuto. Com obstáculos. Ah sim, muitos obstáculos. E tem direito a divã e um olhar piedoso de brinde no final da consulta.
Bom, já é possível notar que o progresso é lento. BEM lento. É como a velocidade de translação de plutão, divida por cinco. Cinco mesmo, pois esse é mais ou menos o número de sessões que eu tive até agora. Porém, não se engane. Não significa que não fez diferença. Na verdade, a diferença já é BRUTAL, no seu sentido mais pesado e cruel. O que demora é essa mudança poder ser notada e aplicada. Em termos não tão técnicos, estou sendo atingida por coisas que eu (meio que) já sabia com a força de uma patada de elefante, mas ainda estou longe de saber o que fazer com isso. E a sensação de se ter coisas que você reprimiu por tanto tempo coabitando a mesma mente que você usa para fazer compras é simplesmente DESESPERADORA.
Não sei se quero rir ou chorar, na maioria das vezes. Meus problemas parecem ainda mais patéticos quando proferidos em voz alta. Ao mesmo tempo, vão ganhando uma densidade que eu dificilmente perceberia antes, vão se tornando mais e mais difíceis de ignorar. O verdadeiro desafio em não reconhecer seus próprios melindres como medos dignos de um ser humano é justamente se assumir como tal. Mas se não sou um ser humano, por que preciso de terapia?
Basicamente, vivo em um dilema constante em forma de ciclo vicioso. Me acho uma idiota inferior a todos os seres pensantes >> acho uma idiotice ter problemas desse tipo >> me acho mais idiota justamente por pensar que sou uma idiota. Será que estou me fazendo entender? Mas a parte verdadeiramente assustadora é perceber que nada disso importa. Não importa que eu saiba por A + B que não sou nem física nem mentalmente inferior a ninguém. No fim, o meu pensamento mais puro e simples é constituído da idéia de que eu não mereço nem as sobras do universo. E eu não sei por quê. E eu não sei como fazer para derrubar uma estrutura de mais de vinte anos e contruir outra diferente em menos de dez. E eu me sinto fraca, impotente e sozinha. E o que eu consigo fazer ao pensar nisso, por enquanto, é chorar. Apenas chorar. Incessantemente. Incontrolavelmente. Desesperadamente.
Eu preciso de ajuda.
Au revoir.
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Canção da indiferença.
Eu me sinto muda. Aqui, neste ambiente minúsculo, barulhento e apertado, em que todos querem (e até precisam!) se fazer ouvir, eu me sinto muda. Não importa o quanto eu tente gritar, parece que a minha voz foi roubada, ou então alguém apertou o “mudo” do controle remoto, sei lá. Por que por mais que se queira fazer ouvir, cada vez menos se quer escutar. Todos tapam os ouvidos, mas todos se calam também. Não que estejam quietos, veja bem! Falam pelos cotovelos, como se a vida dependesse de não calarem as bocas um só segundo. Mas ninguém quer realmente dizer nada. Ou talvez não consigam.
Mas afinal, por que toda essa apatia? Por que todos fingem não ver nem ouvir nada? Será que enquanto fingirmos que os problemas não estão ali, eles não serão problemas? Ou será que vão desaparecer porque agimos como se nunca tivessem existido?
terça-feira, 28 de abril de 2009
Encruzilhada.
Dizem-me:
“O senhor não tem o direito de falar de Deus segundo a forma que o faz. O senhor não nos apresenta senão um Deus caricaturado, sistematicamente reduzido a proporções que seu cérebro abarca. Esse Deus não é nosso Deus. O nosso Deus não o pode o senhor concebê-lo, visto que lhe é superior, escapando por isso à suas faculdades intelectuais. Fique sabendo que o que é fabuloso, gigantesco para o homem mais forte e mais inteligente, é para Deus um simples jogo de crianças. Não se esqueça que a Humanidade não pode mover-se no mesmo plano que a Divindade. Não perca de vista que é tão impossível ao homem compreender a maneira como Deus procede, como os minerais imaginar como vivem os vegetais, como os vegetais conceber o desenvolvimento dos animais, e como os animais saber como vivem e operam os homens.
Deus paira a umas alturas que o senhor é incapaz de atingir ocupa montanhas inacessíveis ao senhor. Qualquer que seja o grau de desenvolvimento de uma inteligência humana; por muito importante que seja o esforço realizado por essa inteligência; seja qual for a persistência deste esforço, jamais poderá elevar-se até Deus. Lembre-se, enfim, que, por muito vasto que seja o cérebro do homem, ele é finito, não podendo, por conseqüência, conceber Deus, que é infinito.
Tenha pois a lealdade e a modéstia de confessar que não lhe é possível compreender nem explicar, não o cabe o direito de negar”.
Eu respondo aos deístas:
Dais-me conselhos de humildade que estou disposto a aceitar. Fazeis me lembrar que sou um simples mortal, o que legitimamente reconheço e não procuro olvidar-me.
Dizeis-me que Deus me ultrapassa e que o desconheço. Seja. Consinto em reconhecê-lo; afirmo mesmo que o finito não pode compreender o infinito, porque é uma verdade tão certa e tão evidente, que não está em meu ânimo fazer-lhe qualquer oposição. Vede, pois, até aqui estamos de acordo, com o que espero, ficareis muito contentes.
Somente, senhores deístas, permiti que, por meu turno, eu vos dê os mesmos conselhos de humildade, para terdes o franqueza de me responder estas perguntas: Vós não sois homens como a mim? A vós, Deus não se depara como para a mim? Esse Deus não vos escapa como a mim? Tereis vós a pretensão de moverdes no mesmo plano da divindade? Tereis igualmente a mania de pensar e a loucura de crer que, de um vôo, podereis chegar às alturas que Deus ocupa? Sereis presunçosos ao extremo de afirmar que o vosso cérebro, o vosso pensamento que é finito, possa compreender o infinito?
Não vos faço a injuria, senhores deístas, de acreditar que sustentais uma extravagância venal. Assim, pois, tende a modéstia e a lealdade de confessar que, se me é impossível compreender e explicar Deus, vós tropeçais no mesmo obstáculo. Tende, enfim, a probidade de reconhecer que, se eu não posso conceber nem explicar Deus, não o podendo, portanto, negar, a vós, como a mim, não vos é permitido concebê-lo e não tendes, por conseqüência, o direito de afirmá-lo.
Não julgueis, no entanto, que, por causa disto, ficamos na mesma situação que antes. Foste vós que, primeiramente, afirmastes a existência de Deus; deveis, pois, ser os primeiros a pôr de parte vossas afirmações. Sonharia eu, alguma vez, com negar a existência de Deus, se vós não tivésseis começado a afirmá-la? E se, quando eu era criança, não me tivessem imposto a necessidade de acreditar nele? E se, quando adulto, não tivesse ouvido afirmações nesse sentido? E se, quando homem, os meus olhos não tivessem constantemente contemplado os templos elevados a esse Deus? Foram as vossas afirmações que provocaram as minhas negações.
Cessai de afirmar e eu cessarei de negar.
sexta-feira, 17 de abril de 2009
Velhos hábitos...
Eu sou invisível. Ponto. Simples assim.
Não no sentido espectrometral da coisa. Eu sou até bem mais visível do que eu gostaria. Porém sempre tenho a sensação de estar cuidadosamente posicionada sobre um ponto cego, do qual somente as pessoas certas podem me ver. E é definitivamente um sentimento engraçado ter que viver aparecendo e desaparecendo o tempo todo como um Mister M.
E mais: posso dizer que vivo nessas condições há aproximadamente oito anos. Mais incrível ainda é saber que antes do aparecimento desse véu funesto eu até sabia o que fazer da minha vida.
O problema é que este superpoder não me serve mais de nada. Há muito eu tento encontrar o botão pra desligá-lo, mas parece que ele não veio como opcional de fábrica. Consultando uns tutoriais vida afora, descobri que há, sim, um jeito infalível de tornar meu ser visível para uma ou mais pessoas ao mesmo tempo: basta que eles ouçam a minha voz. Mas como ter certeza de que o que eles vão ouvir não vai lhes tirar a vontade de ver a origem do instrumento?
Au revoir.