terça-feira, 27 de julho de 2010
domingo, 11 de julho de 2010
It seems I'll just keep writing...
Será que eu conseguiria? Quer dizer, eu realmente acho que eu não teria sequer paciência para ensinar um bando de crianças normais, o que me faz pensar que eu gostaria de ensinar as especiais? Eu não faço a menor idéia do que eu quero da vida e isso é quase tão angustiante quanto não saber que curso tentar no vestibular. Desta vez, no entanto, eu sei o que quero. Eu gosto de psicologia. Inclusive, gosto tanto que não sei por qual das linhas teóricas me decidir. Nenhuma me parece inaceitável. Por sua vez, nenhuma me parece irrefutável. O que fazer? Será que eu simplesmente não sou capaz de lidar com o que não foi cientificamente provado? Será que eu não seria capaz de confiar em nenhuma delas? Ou é em mim que eu não consigo confiar? Será que eu posso tratar a mente de alguém sem uma teoria séria e, principalmente, rígida por trás? Eu consigo? Mas então, como posso saber com qual delas eu me dou melhor, com qual eu realmente me encaixo? Eu não leio, puxa vida! Às vezes eu acho que este notebook foi a pior coisa que eu já comprei, porque afinal de contas, não me deixa tempo pra mais nada. Não que seja dele a culpa que é inteiramente minha. Mas eu simplesmente me deixo distrair a todo momento, nunca tenho ânimo pra finalmente começar a estudar com afinco, pois sempre tenho “mais o que fazer”. Well, guess what, eu nunca tenho. A internet é um saco, nunca tem ninguém no twitter, eu não agüento MSN já há muito tempo e... é isso, nunca tenho o que fazer. Então por que, ainda assim, eu nunca faço o que tenho que fazer para ficar fazendo NADA no computador?? Essa resposta eu ainda não tenho. E parece que ainda vai demorar pra consegui-la. Mas eu espero que não demore tanto assim. Afinal, eu tenho 22 anos e ainda não completei absolutamente nada, minha vida toda. E, uma hora ou outra, a gente tem que crescer. Bom, pelo menos é o que todos dizem.
Mas vamos pensar direito. Com qual das linhas eu acho que me daria melhor? Ultimamente, comecei a pensar muito em Gestalt. Seria ótimo, afinal é com ela que se aplica o psicodrama. Entretanto, eu sempre fico imaginando se a falta de, digamos, rigor científico me deixaria com um pé atrás. Ou dois. Ou, por que não o excesso de “amor” da teoria. Quer dizer, eu não sou capaz de aceitar qualquer um que entre no meu consultório. Um cara que já estuprou 20 mulheres entra no meu consultório dizendo que quer se tratar por uma erotomania, ou ninfomania, seja lá qual for o nome do transtorno. Eu conseguiria simplesmente acolher, AMAR um sujeito desses?? Nunca, antes eu teria medo dele e ficaria com calafrios por ter que ficar sozinha no mesmo ambiente que um cara desses. Ou pior, teria raiva ou até mesmo nojo dele. Bom candidato à cliente, não?
Mas, quem sabe a sócio-histórica? Mas com ela, voltamos à velha questão das crianças especiais. Sabe, esse assunto realmente mexe comigo. Em documentários, textos, fotos. Mas vida real? Encare, eu mal consigo lidar com crianças! Imagine então uma que não enxerga, ou não ouve, ou, pelo amor de deus, os dois! Eu nunca quis ser professora, NUNCA! Nunca tive tal ambição. E no entanto, é no que mais eu tenho pensado nos últimos dias. Nem mesmo meu pai achou uma boa idéia que eu virasse uma professora especial. Pra minha mãe, melhor nem perguntar. Ela acha que eu não consigo lidar com ninguém, ao que parece. “Você vai se encher com essas pessoas, vão te dar tédio! Você não vai conseguir!” Aliás, parece que é só o que ela sabe dizer a respeito de tudo que eu faço. Mas este é um outro assunto. Seja como for, não sei bem o que fazer. Eu tenho certeza que não daria certo. Eu não quero nem mesmo ter filhos! Mas quem se importa? Quem se importará? Eu não quero mais ficar indiferente, mas algo me diz que se você não entra de cabeça numa coisa dessas você não entra nunca mais. Mas eu realmente acho que eu não consigo.
Com crianças especiais ou não, o que eu queria mesmo saber é como ocorre o desenvolvimento de tudo. Como nos tornamos humanos. A antropologia da coisa. Eu realmente gosto disso, e concordo com tudo que a teoria sócio-histórica tem a dizer a esse respeito. Quer dizer, é a que mais fala sobre isso. Nenhuma outra gasta tanto tempo tentando explicar por que somos o que somos. E essa é mesmo a parte que eu mais gosto. Mas, e daí? Com que eu posso trabalhar na sócio-histórica? Eu só vejo salas de aula no meu caminho. É possível clinicar? Tipo, normalmente, sem que para isso eu precise atender pacientes de favela num posto de saúde perigoso? Eu PRECISO ser marxista, ou no mínimo COMUNISTA para tanto? Por que comunistas não comem criancinhas, mas eu me sentiria extremamente hipócrita dizendo que sou uma, quando na verdade... bom, olha pra mim. Posso não ser uma “material girl”, ou não totalmente, mas não sou nem um pouco comunista. Eu não luto pela igualdade social, não faço nada para mudar o mundo, embora sinta essas dores. Talvez por isso mesmo queira afinal deixar essa posição egoísta e começar a realmente FAZER alguma coisa pelos que precisam. Mas eu tenho preguiça. Preguiça de tudo. QUEM sou eu para tentar mudar o mundo? Eu NÃO quero deixar de comer carne. Eu NÃO quero que todos tenhamos que usar o mesmo macacão azul porque a moda é apenas um modo de incentivar o consumo. Eu gosto de me expressar com roupas, ao menos de vez em quando. Eu gosto de jantar em churrascarias caras às vezes. O que eu queria é que todos tivessem esse direito, mas será que é possível? Por que se não for, eu não estou certa de que possa abdicar de certos prazeres. Pelo menos, não ainda. It seems I’m still my good old egoistic self… And, as always, I still DON’T like it al all.
Au revoir.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Aos que não têm voz.
sexta-feira, 21 de maio de 2010
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Aborrecência em crise.
sábado, 8 de maio de 2010
Something else to breath for...
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Ruínas de um novo castelo
Seja como for, cá estou eu de novo, e nem tenho nada muito estruturado pra dizer. Mas se você está lendo isto aqui não está mesmo esperando nada bem escrito, então estamos nos entendendo.
Eu comecei um trabalho terapeutico dos mais tradicionais. Sim, daqueles em que você fica dentro de uma sala junto com outra pessoa cujo nome você mal sabe e o objetivo é lembrar e contar o maior número de podres sobre si mesmo por minuto. Com obstáculos. Ah sim, muitos obstáculos. E tem direito a divã e um olhar piedoso de brinde no final da consulta.
Bom, já é possível notar que o progresso é lento. BEM lento. É como a velocidade de translação de plutão, divida por cinco. Cinco mesmo, pois esse é mais ou menos o número de sessões que eu tive até agora. Porém, não se engane. Não significa que não fez diferença. Na verdade, a diferença já é BRUTAL, no seu sentido mais pesado e cruel. O que demora é essa mudança poder ser notada e aplicada. Em termos não tão técnicos, estou sendo atingida por coisas que eu (meio que) já sabia com a força de uma patada de elefante, mas ainda estou longe de saber o que fazer com isso. E a sensação de se ter coisas que você reprimiu por tanto tempo coabitando a mesma mente que você usa para fazer compras é simplesmente DESESPERADORA.
Não sei se quero rir ou chorar, na maioria das vezes. Meus problemas parecem ainda mais patéticos quando proferidos em voz alta. Ao mesmo tempo, vão ganhando uma densidade que eu dificilmente perceberia antes, vão se tornando mais e mais difíceis de ignorar. O verdadeiro desafio em não reconhecer seus próprios melindres como medos dignos de um ser humano é justamente se assumir como tal. Mas se não sou um ser humano, por que preciso de terapia?
Basicamente, vivo em um dilema constante em forma de ciclo vicioso. Me acho uma idiota inferior a todos os seres pensantes >> acho uma idiotice ter problemas desse tipo >> me acho mais idiota justamente por pensar que sou uma idiota. Será que estou me fazendo entender? Mas a parte verdadeiramente assustadora é perceber que nada disso importa. Não importa que eu saiba por A + B que não sou nem física nem mentalmente inferior a ninguém. No fim, o meu pensamento mais puro e simples é constituído da idéia de que eu não mereço nem as sobras do universo. E eu não sei por quê. E eu não sei como fazer para derrubar uma estrutura de mais de vinte anos e contruir outra diferente em menos de dez. E eu me sinto fraca, impotente e sozinha. E o que eu consigo fazer ao pensar nisso, por enquanto, é chorar. Apenas chorar. Incessantemente. Incontrolavelmente. Desesperadamente.
Eu preciso de ajuda.
Au revoir.